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Honda registra desenho associado à CB350RS no Brasil, mas lançamento ainda parece distante.

Novo desenho encontrado no INPI reacende a expectativa pela clássica de 350 cc da Honda. Registro, porém, parece proteger o projeto e não confirma sua chegada às concessionárias brasileiras.

A Honda acaba de estacionar uma motocicleta no Brasil sem necessariamente trazê-la para cá.


Honda CB350RS teve seu desenho registrado no Brasil, mas ainda não há confirmação de lançamento. Foto: Divulgação/Honda.

Um novo registro de desenho industrial localizado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial, o INPI, revela uma motocicleta da família CB350. Pelos elementos visuais, especialmente os protetores sanfonados na suspensão dianteira e o acabamento mais esportivo, o modelo é apontado como a CB350RS.

A descoberta reacende um sonho antigo entre os motociclistas brasileiros: ver a Honda disputar diretamente o segmento de motos clássicas de média cilindrada, hoje ocupado com força pela Royal Enfield.

Mas é preciso manter o capacete da empolgação bem preso.

O registro protege o desenho da motocicleta contra cópias no Brasil, mas não funciona como confirmação de lançamento.



Não é a primeira CB350 registrada no Brasil

A movimentação não começou agora.

Em 2024, a Honda já havia registrado no país o desenho de outra integrante da família, identificada como CB350C, versão de aparência mais tradicional e próxima da proposta oferecida pela Royal Enfield Classic 350. Agora, o novo documento apresenta uma configuração mais esportiva, associada à CB350RS.



As duas compartilham a mesma plataforma, mas procuram públicos ligeiramente diferentes.

Enquanto a CB350C aposta em cromados, linhas arredondadas e uma atmosfera mais clássica, a RS troca parte dessa elegância por componentes escurecidos, pneus mais largos e detalhes que flertam com o universo scrambler.

É como se a primeira vestisse jaqueta de couro para um passeio tranquilo, enquanto a segunda dobrasse as mangas antes de sair.

Afinal, qual Honda apareceu no INPI?

O modelo registrado apresenta características visuais semelhantes às da CB350RS vendida na Índia.

Fotos: Divulgação/Honda.

Ela utiliza tanque em formato de gota, banco mais reto, escape elevado, protetores sanfonados nos garfos dianteiros e acabamento predominantemente escurecido. Na traseira, o pneu mais largo e a lanterna integrada ajudam a diferenciá-la das versões mais clássicas da família.

Dependendo do mercado, a plataforma assume nomes e configurações diferentes.

Na Índia, aparece como CB350, CB350 H’ness, CB350C e CB350RS. Na Europa, uma interpretação da mesma família é comercializada como GB350S. A Argentina, por sua vez, oferece oficialmente a CB350 H’ness desde 2025.

Essa variedade de sobrenomes pode confundir, mas todas orbitam a mesma ideia: oferecer uma motocicleta monocilíndrica com visual retrô, condução tranquila e recursos modernos.

Motor de 350 cc e força em baixa rotação

A CB350RS utiliza um motor monocilíndrico de 348,36 cm³, refrigerado a ar e alimentado por injeção eletrônica.


O motor monocilíndrico de 348,36 cm³ entrega aproximadamente 21 cv e 30 Nm de torque. Foto: Divulgação/Honda.

O conjunto entrega 15,5 kW, equivalentes a aproximadamente 21 cv, a 5.500 rpm, além de 30 Nm de torque a 3.000 rpm. O câmbio possui cinco marchas e embreagem assistida e deslizante.

Os números deixam claro que a proposta não é buscar desempenho de uma naked esportiva.

A graça está na entrega de torque em baixa rotação, no funcionamento cadenciado do motor e em uma pilotagem menos apressada. É justamente essa receita que ajudou a consolidar as motos clássicas de 350 cc entre quem procura personalidade sem precisar administrar potência excessiva.

A CB350RS também possui:

  • freios a disco nas duas rodas;
  • ABS de dois canais;
  • controle de tração Honda Selectable Torque Control;
  • iluminação em LED;
  • painel analógico com tela digital;
  • tanque de 15 litros;
  • assento a 800 mm do solo;
  • peso em ordem de marcha próximo de 179 kg.

Uma rival natural para a Royal Enfield

Caso viesse ao Brasil, a CB350 entraria em um terreno já cultivado pela Royal Enfield.

A Classic 350 parte atualmente de R$ 23.990, com frete incluso, enquanto a Meteor 350 começa em R$ 24.990. A marca indiana ainda oferece a Hunter 350, com preço inicial de R$ 19.990.


Uma eventual chegada da CB350RS colocaria a Honda em confronto direto com a família 350 da Royal Enfield.


A Honda teria como trunfos sua extensa rede de concessionárias, o reconhecimento da marca e um pacote eletrônico que inclui controle de tração, recurso incomum nessa faixa de cilindrada.

A Royal Enfield, por outro lado, já construiu uma identidade sólida dentro do segmento e oferece uma família completa de motocicletas clássicas, além de uma comunidade que ultrapassa a simples relação entre consumidor e produto.

Por isso, uma eventual disputa não seria definida apenas por potência ou preço.

Seria um confronto entre a força industrial da Honda e o território emocional conquistado pela Royal Enfield.

Registro não significa lançamento

Apesar da expectativa, os sinais disponíveis ainda não apontam para uma chegada iminente.

O documento apresenta o desenho geral da motocicleta, mas não há registros conhecidos de componentes específicos, etapas de homologação, testes locais ou anúncios da Honda brasileira.

Outro detalhe importante é que o pedido foi associado à Honda Motor Co., divisão global da fabricante, e não à Moto Honda da Amazônia, responsável pela operação nacional. Isso reforça a possibilidade de que o objetivo seja apenas proteger a propriedade intelectual do projeto.

Fabricantes costumam registrar produtos em diferentes países mesmo quando não existem planos imediatos de comercialização. É uma maneira de impedir que outras empresas reproduzam legalmente aquele desenho.

Portanto, a CB350RS está registrada no Brasil.

Mas ainda não está confirmada para o Brasil.

O que seria necessário para ela chegar?

A família CB350 foi desenvolvida e produzida na Índia, sem compartilhamento significativo de peças com as motocicletas fabricadas pela Honda em Manaus.

Uma eventual produção nacional da CB350 exigiria adaptação industrial e novos fornecedores. Foto: Divulgação/Honda.

Uma produção nacional exigiria investimentos em ferramental, fornecedores e adaptação industrial. A importação poderia reduzir essa complexidade, mas aumentaria custos e dificultaria o posicionamento da moto diante dos preços praticados pela Royal Enfield.

Uma alternativa seria a Honda desenvolver uma clássica nacional aproveitando componentes de modelos como CB 300F Twister e Sahara 300.

Essa possibilidade, porém, é apenas uma análise de mercado. A fabricante não anunciou um projeto desse tipo.

Um sonho registrado em papel

A CB350RS reúne características que fariam sentido no Brasil.

Tem estilo, tecnologia, porte acessível e uma proposta capaz de conversar diretamente com o público que fez a Royal Enfield crescer no país.

O novo registro mostra que a Honda considera importante proteger esse desenho por aqui. Mas, sozinho, ele não oferece passagem para a linha de montagem nem endereço em uma concessionária brasileira.

Por enquanto, Royal Enfield segue sem rivais no Brasil.

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